Afinal, o que é Clean Beauty?

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O termo Clean Beauty passou a fazer parte do dia a dia das pessoas, principalmente de quem se preocupa com produtos para beleza e bem-estar, com muita gente falando sobre isso nas redes sociais, nos programas de televisão e nas conversas.

E, se você fizer uma pesquisa rápida, vai ter várias definições, marcas, artigos e vídeos sobre o tema. Mas, afinal, você sabe o que é Clean Beauty?

O que você sabe sobre Clean Beauty?

É provável que você já tenha uma ideia do que é Clean Beauty: cosméticos livres de ingredientes tóxicos, produtos feitos somente com ingredientes naturais, com a menor quantidade de embalagem possível. Mas não é só isso!

Parece que cada marca tem sua própria definição para “beleza limpa”, que se mistura com os conceitos de sustentabilidade e até de beleza minimalista. Mas o que desperta a atenção é a corrida das marcas para lançarem suas linhas clean e a vontade coletiva dos consumidores de substituir toda sua rotina de cuidados pessoais por produtos mais simples e naturais.

Será que reduzir ao máximo a lista de ingredientes de um cosmético significa que ele é melhor? Se o produto não está na categoria clean, ele faz mal para a pele? Ou será que esse é mais um segmento criado pelas marcas para aproveitar o discurso do “natural” e “sustentável” com a intenção de vender mais?

Se você já nos acompanha, sabe que somos fãs de produtos simples, eficazes e de baixo impacto para o meio ambiente. Mas, como a gente já comentou neste post, ainda existe muito discurso falso em torno das categorias naturais/eco/sustentáveis do mercado. Por isso, nós reunimos mais informações sobre esse universo.

O significado de Clean Beauty

É claro que parece óbvio que clean é limpo e beauty é beleza, o que resulta na tradução “beleza limpa”. Porém, o conceito de limpeza sai do que é óbvio, ou seja, a ausência de sujeira, para um significado conceitual, que leva em consideração todos os valores sobre os quais a gente falou. Então, neste caso, a palavra Clean ganha mais significados, como responsável, ética e até mesmo sustentável. Afinal, todos queremos que os produtos que consumimos sejam saudáveis para nós e para o meio ambiente, não é mesmo?

Como o Clean Beauty surgiu?

O conceito Clean Beauty surgiu na última década, como resposta a uma necessidade cada vez maior de que as pessoas tenham contato com o processo de produção daquilo que consomem, além de ter a possibilidade de decidir de acordo com o impacto de cada produto. Por isso, é uma resposta a uma necessidade crescente.

Para se ter uma ideia, a indústria do bem-estar movimentou, de acordo com o Global Wellness Institute, 4,2 trilhões de dólares em 2018, com produtos cada vez mais relacionados com a responsabilidade e a ética.

Conceito e valores do movimento

Embora seja um movimento que está nascendo e se transformando a cada dia, é possível dizer que Clean Beauty tem como conceito o bem-estar completo, que parte das pessoas que consomem, suas relações diretas com os produtos e também com os processos de produção.

Por isso, a cada momento, novos componentes vão sendo valorizados, o que inclui a ausência de componentes tóxicos, para a segurança de quem consome, mas também a preocupação com toda a cadeia produtiva e os impactos sociais e ambientais.

Clean Beauty x Slow Beauty x Green Beauty: Qual a diferença?

São várias tendências que se misturam, se integram e também se substituem em determinados momentos. Porém, para que você não se perca, vamos a algumas explicações.

Clean Beauty equivale a uma preocupação mais geral, ainda em construção, que tem como pano de fundo a preocupação com a toxicidade e a qualidade das matérias-primas, e seus efeitos no curto e no longo prazo, e inclui também a responsabilidade em todos os processos, inclusive com a questão ambiental. Por isso, vale a pena dizer que essa ideia tende a abarcar as outras duas.

Slow Beauty é uma tendência de cuidado, preocupação e relacionamento ético que valoriza os produtos locais, não industrializados. Ela se opõe frontalmente ao que podemos chamar de Fast Beauty, com referência ao Fast Food, ou seja, aquilo que é feito sem grandes preocupações para ser consumido rapidamente, desenvolvido pelas indústrias. Na Fast Beauty, assim como a Fast Fashion, as marcas estão interessadas somente em lançar produtos novos, em ondas momentâneas. Slow Beauty e Slow Fashion se posicionam contra isso. Você pode ler sobre isso neste post sobre moda vintage.

Green Beauty é um movimento que valoriza a utilização de produtos naturais, orgânicos e não testados em animais. A ideia “verde” é uma das mais antigas a apresentar as questões ambientais no consumo, e esses valores têm sido uma preocupação de muitas indústrias. Para saber como evitar empresas que testam em animais, leia este post também.

Mas não importa o conceito, e sim a responsabilidade que você tem ao escolher os produtos de beleza, de moda ou de qualquer outra interação da sua vida.

A variedade de cosméticos: veganos x orgânicos x clean beauty

Você também vai encontrar, em várias marcas, um grande número de movimentos e propósitos, que ajudam a gente a ter um consumo mais consciente. Porém, às vezes, tantos termos e caminhos confundem um pouco.

Por isso, lembre-se de que os produtos veganos, por exemplo, são aqueles que se preocupam com a origem apenas vegetal das matérias primas, sem nenhuma exploração animal. Por isso, nada de mel ou outros componentes que possam ter sido resultado de esforços dos animais.

Os orgânicos, ou biológicos, são os produtos que têm a preocupação de que as matérias primas sejam resultado da agricultura com a menor interferência de defensivos agrícolas e produtos químicos, preferencialmente de pequenos produtores.

E o conceito de Clean Beauty pode abarcar tudo isso, embora tenha origem na preocupação com produtos que não sejam tóxicos, mas, como dizemos, está sendo transformado para incluir todas as preocupações e responsabilidades.

Clean Beauty: tendência mundial na indústria da beleza

É claro que, por se preocupar com várias questões importantes, o movimento Clean Beauty se tornou uma tendência mundial na indústria da beleza. Marcas tradicionais estão criando linhas de produtos exclusivas para atender à demanda e algumas indústrias estão se transformando totalmente para dar conta do que deve ser uma referência daqui a alguns anos, com o crescimento das preocupações pessoais, com a saúde individual, mas também com a responsabilidade sobre o que se consome.

A embalagem do produto clean

Por isso, pense que, se a premissa da categoria é trazer soluções que não sejam prejudiciais à nossa saúde, por que não estender esse pensamento para as embalagens?

Pensando dessa forma, é interessante levar a embalagem em consideração ao classificar um produto como clean. Ele tem embrulhos desnecessários? Ao descartar, você vai conseguir reciclar ou compostar a embalagem que restou?

A indústria já traz inovações muito interessantes nessa área: temos como exemplo os produtos “pelados”, como shampoos e sabonetes que vêm em forma sólida e por isso não precisam de recipientes plásticos, e a introdução de refis no mundo da maquiagem, que utilizam menos matéria prima e podem ser totalmente reciclados.

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A composição do produto clean

É aqui que o assunto fica ainda mais interessante. Os produtos clean são descritos como livres de ingredientes tóxicos, com menos e melhores ingredientes e, às vezes, como orgânicos, naturais e veganos. Aqui, nosso cérebro automaticamente relaciona o veganismo e a simplicidade das fórmulas com qualidade e superioridade em relação aos cosméticos tradicionais, o que nem sempre é verdade.

Tão importante quanto pesquisar quais são os ingredientes presentes na composição de um produto e quantos deles existem em uma única fórmula é saber qual é a concentração de cada um dos compostos.

Parabenos e sulfatos: os vilões da indústria (será?)

Com o fenômeno do skincare cada vez mais forte na internet, ingredientes como parabenos e sulfatos já são conhecidos pelos consumidores como elementos a serem evitados.

De forma simplificada, os parabenos são os conservantes utilizados para impedir o crescimento de fungos, leveduras e bactérias nos cosméticos. E sua má reputação existe há cerca de duas décadas, quando pesquisas identificaram uma relação entre a absorção de parabenos pelo organismo e o desequilíbrio hormonal, que poderia aumentar o risco de desenvolver câncer. Desde então, várias pesquisas apresentaram resultados diferentes e inconclusivos, o que justifica o fato dos parabenos ainda estarem presentes não só em cosméticos, mas em alimentos e em outros bens de consumo.

Já os sulfatos atuam na limpeza e são os responsáveis pela espuma característica de shampoos e sabonetes, como o Lauril Sulfato de Sódio (SLS). Nesta categoria, o que já é comprovado é que os sulfatos podem ser agressivos à pele e causar irritação e sensibilidade, além de ser tóxico para a vida aquática (quando descartado nas águas).

Mas sabe aquele ditado que diz que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose? Então, também podemos aplicar esse pensamento aqui. Katie Patrick, funcionária do Cancer Research UK, em entrevista ao The Guardian, afirma que, para a maioria dos produtos químicos, o importante é a dose a que somos expostos: “A maioria [dos compostos] têm o potencial de causar danos, mas somente em níveis muito mais altos do que encontramos em cosméticos ou no dia a dia”. É bom lembrar que, independente da origem, toda matéria que existe no universo é formada por elementos químicos, até as que enxergamos como “naturais”.

Além da concentração, cada pessoa reage de forma diferente a qualquer formulação, seja ela considerada sintética ou natural, como por exemplo os óleos essenciais. Dos difusores aos hidratantes faciais, eles estão presentes na rotina de consumidores que buscam produtos eficazes e menos industrializados, mas são extremamente concentrados e, por isso, podem causar uma reação da mesma forma que o SLS causaria em peles sensíveis.

A consultora Dra. Angeli Mahto, também em entrevista ao The Guardian, defende que a categoria clean beauty não é ruim ou pior quando comparada aos cosméticos tradicionais, mas que ela “cria e propaga um mito de que ‘produtos químicos’ são ruins e produtos ‘clean’ são melhores”. E isso afasta os consumidores de toda a ciência que existe por trás da sua rotina de skincare.

Mesmo com potenciais riscos, esses ingredientes sintéticos (e vários outros) ainda são consideravelmente seguros para uso, já que todos os produtos que nós temos acesso passaram por avaliações de segurança antes de chegarem às prateleiras.

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E como escolher?

Pensando na segurança e eficácia dos cosméticos, tanto um produto convencional quanto um “limpo” podem funcionar para você. E é aí que a gente repete para você não se esquecer: a nossa principal recomendação é você montar sua rotina de cuidados com um dermatologista, para entender exatamente quais ingredientes são mais adequados para sua pele (sejam eles naturais ou sintéticos).

Agora, pensando no consumo consciente, nossas dicas são outras: independente da categoria do produto, vale checar se a marca realiza testes em animais, se os ingredientes naturais são obtidos de forma justa, se a embalagem é fácil de reaproveitar ou reciclar. 

Ao escolher produtos com essas preocupações, você ajuda o planeta, com respeito ao meio ambiente e à sociedade. E isso também faz um bem tremendo para a sua consciência ambiental e social. Porque você sabe que, se o planeta vai bem, maiores são as chances de você estar bem também.

Além disso, saber a origem e ter a certeza de que as matérias primas dos produtos que você consome não vão ser tóxicos e fazer mal no curto nem no longo prazo é algo muito importante. Afinal, você não quer correr riscos somente para ter a sua beleza realçada, não é mesmo?

Este é um assunto bastante denso, então vamos deixar aqui os textos que nós encontramos durante nossas pesquisas. Tem muito conteúdo interessante!

Sallve - A verdade sobre os Sulfatos: você deveria mesmo se livrar deles?

The Guardian - Is clean beauty a skincare revolution – or a pointless indulgence?

Dazed Beauty - "'Natural' and 'clean' beauty products not always safe", warn dermatologists

Você sabia que o Brasil é um dos maiores mercados de beleza do mundo?

Sim, o Brasil é considerado, segundo o Euromonitor International, um dos cinco maiores mercados de beleza do mundo nos últimos anos, além de estar passando por um processo de “premiunização”, ou seja, as pessoas estão cada vez mais dispostas a pagar por produtos que têm maior valor agregado.

E isso, é claro, inclui os produtos que são Clean Beauty e, por terem mais cuidados nos processos e na origem das matérias primas, conseguem atender ao público cada vez mais exigente e que pode pagar pelos diferenciais.

Diversas marcas, desde as grandes até as conceituais, como você vai ver mais abaixo, estão entrando neste caminho sem volta, que com certeza vai trazer muito mais qualidade para a sua vida e o seu bem-estar também.

Clean beauty e skincare: monte a sua rotina de cuidados!

Uma coisa fundamental para você incluir todos os produtos ao seu dia a dia é também ter uma rotina, só sua, a partir das dicas e dos conselhos que você vê na internet e também daquilo que você ouve do seu dermatologista.

Para se inspirar para ter uma rotina, veja este vídeo da rotina de skincare noturna da Rihanna, que viralizou há algum tempo e é uma aula para todas e todos nós.

3 marcas de clean beauty para você experimentar!

Se você quer se preparar para assumir o conceito Clean Beauty, temos três marcas fantásticas para apresentar (se você ainda não as conhece). Na hora de fazer a “virada” nas suas rotinas de beleza, lembre-se sempre delas:

Beyoung

Uma marca pensada para gente que sabe que pode fazer a diferença no mundo, com muita atitude e responsabilidade. Ela tem linhas de limpeza e maquiagem fantásticas. Confira lá!

Biossance

Com produtos para todos os tipos de pele, a marca se posiciona principalmente com a sua responsabilidade na origem das matérias primas, todas elas “poderosas e confiáveis”.

Quintal Dermocosméticos

Ela promete ter a aliança perfeita entre a medicina ancestral dos tratamentos naturais e a tecnologia no desenvolvimento de produtos que atendem a todos, com muita qualidade.

Saiba mais sobre a indústria de cosméticos

Para conhecer ainda mais sobre o mercado e a indústria de cosméticos, uma boa dica é o documentário Toxic Beauty, da Apple TV. É muito importante ter acesso aos dados e às histórias que você encontra lá, para também saber como somos responsáveis, em cada decisão de consumo, por uma rede de produção e de pessoas que desenvolvem aquilo que nos atende.

Clean Beauty: vai encarar?

Se você está a fim de aderir ao desafio de escolher marcas e produtos que respeitam o conceito de Clean Beauty, tem várias formas para começar. Você pode, por exemplo, ir substituindo aos poucos, de acordo com as necessidades que aparecem, como quando um produto acaba, e você tem que substituí-lo.

Afinal, talvez não seja o melhor caminho ser radical e trocar tudo de uma vez, certo? Porque os produtos que você já tem seriam desperdiçados, e a responsabilidade ambiental não estaria sendo cumprida.

A escolha é sua, mas sempre a sua saúde, o seu bem-estar e o planeta agradecem.

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E então? Como é a sua rotina de cuidados com a pele? Você já tinha parado para pensar nessa nova categoria que surgiu? Conte pra gente nos comentários!

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