Testes em animais: Entenda porque essa moda já passou

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Usar animais para pesquisas ou para testar a segurança de produtos é um debate que está movimentando as discussões há bastante tempo. 

Para algumas pessoas, isso não causa muitos impactos, mas para outras, que têm uma ligação maior com a natureza e um apego maior com os animais, este é um assunto doloroso. 

Afinal, para muitos, seus animais não são animais de estimação, mas sim integrantes da família, e imaginar que eles poderiam sofrer dores e maus tratos intencionais a serviço da indústria, seja ela qual for, é um pensamento mórbido e inaceitável. 

Talvez, décadas atrás, esses testes poderiam ser justificados, devido à falta de tecnologia para assegurar que um produto era seguro para o consumo. Mas, hoje em dia, não se trata mais disso. 

Atualmente, testar em animais é uma escolha, talvez por um certo conservadorismo, ou por questões econômicas, mas é uma escolha. Existem outras saídas e, neste artigo, você vai entender melhor sobre o assunto. 

O que é o Cruelty Free e o que isso tem a ver com testes em animais?

O selo Cruelty Free surgiu dentro do movimento de Direitos dos Animais, para assegurar que determinados produtos não são testados em animais. 

Foi uma maneira de forçar as empresas e as marcas a deixarem seus processos de produção transparentes para os consumidores. E também para os consumidores, com o acesso a essa informação, escolherem se consomem ou não os produtos.  

Foi um grande marco, não só para a luta do movimento, mas também para a indústria, que passou a entender que seus processos também eram importantes, e que os consumidores não estavam mais apenas preocupados com a qualidade dos produtos, mas principalmente com os aspectos morais das empresas. 

Como surgiu o Cruelty free? 

Foi em 1959 que a inglesa e ativista do direito dos animais, Baronesa Dowding, ou Lady Dowding, usou o termo pela primeira vez.

Em busca de popularizar o termo, ela incentivou as empresas que fabricavam peles falsas de animais a divulgarem seus produtos como “Beauty without cruelty”, em português “Beleza sem crueldade''. 

Alguns anos depois, ela lançou a primeira marca conhecida de cosméticos veganos (embora esse termo ainda existisse) e cruelty free, com o mesmo nome. 

Embora a Baronesa tenha ganhado diversos prêmios da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), foi só em 1970 que o termo começou a se popularizar, quando a americana Marcia Pearson fundou um grupo nos EUA chamado “Fashion with compassion”. 

Depois, em 1991, foi criado o Laboratório de referência da UE para alternativas aos testes em animais, buscando associar os 3 Rs, do inglês Reduction (reduzir), Refinement (refinar) e Replace (substituir), aos testes em animais. 

Em 1996, grupos de proteção animal se uniram para formar a Coalizão para Informações aos Consumidores sobre os Cosméticos, que até hoje administra a Leaping Bunny cruelty free certification program, nos EUA e no Canadá.

Como estão os testes em animais no Brasil? 

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Os testes em animais no Brasil são regulamentados pela lei LEI Nº 11.794, DE  8 DE OUTUBRO DE 2008, conhecida também como Lei Arouca. 

Porém, segundo uma resolução Normativa do Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (Concea), desde o dia 24 de setembro de 2019, terminou o prazo dado às empresas para adotarem métodos alternativos para o teste em animais. 

Isso dificulta o uso de animais como cobaias para testes, mas não impede, já que a norma exige apenas que as empresas priorizem testes alternativos. 

Esses testes alternativos devem ser baseados em ao menos um dos 3 Rs que já mencionamos. Isso quer dizer que as empresas devem diminuir o número de animais testados, aprimorar as técnicas para que causem menos sofrimento nos animais e substituir os animais por outras alternativas. 

As empresas que não cumprirem ao menos um dos 3 Rs podem perder a licença de realizar pesquisas e pagar multas que vão de 5 mil a 20 mil reais. 

Porém, se a vigilância sanitária não acreditar que os métodos alternativos oferecem segurança total aos consumidores, pode exigir que a empresa, mesmo não querendo, volte a fazer testes com cobaias. 

Existem 24 métodos alternativos validados pelo Centro brasileiro para validação de Métodos Alternativos

Qualquer laboratório, seja para fins comerciais ou acadêmicos, que realize teste em animais ou alternativos, precisa cadastrar os processos no CONCEA e ter uma comissão de ética de uso de animais, formada por cientistas, um ou mais veterinários e um representante da sociedade cívil. 

8 estados brasileiros proíbem o uso de animais em determinadas indústrias  

Embora existam muitas discussões sobre se uma lei estadual pode ou não sobrepor uma lei federal, os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná e Pernambuco proíbem o uso de cobaias em certas indústrias. 

Segundo o CONCEA, embora esses estados proíbam, é a legislação do CONCEA e da Lei Arouca que regem as normas para testes em animais no nosso país. 

Como o mundo avança a respeito dos testes em animais?

Segundo um estudo da Cruelty Free Internacional, os dados de testes de animais no mundo não são animadores.

Pelo menos 192,1 milhões de animais foram usados para fins científicos só no ano de 2015.

Isso representa cerca de 80 milhões de experimentos e outros milhões de animais que são assassinados para a utilização dos seus tecidos. 

Os 10 países que mais testam animais são China, Japão, EUA, Canadá, Austrália, Coreia do Sul, Reino Unido, Brasil, Alemanha e França. 

Muitos associam os testes em animais a roedores e coelhos, porém estima-se que, em 2015, 207.724 testes foram conduzidos em cachorros e 158.780 testes usaram macacos. 

Os 10 países que mais usam cachorros em testes são China, EUA, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Brasil, Reino Unido, Canadá, Alemanha e Índia.

Os 10 países que mais usam macacos em testes são China, EUA, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Brasil, Reino Unido, França, Alemanha e Índia.

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Mas como são os testes alternativos para os testes em animais?

Algumas pessoas acreditam que não testar em animais é colocar de alguma forma os humanos em risco, outras pessoas acham que deixaríamos de criar melhores produtos e que, de alguma maneira, criaríamos empecilhos para a evolução da ciência. 

Mas isso vai totalmente contra a realidade que temos hoje. Parar de testar em animais não só nos faria moralmente seres humanos melhores, como também abriríamos espaço para a ciência evoluir, deixando de usar métodos ultrapassados e conservadores, que não condizem mais com o momento da história que vivemos. 

Você sabia que, segundo uma pesquisa feita pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, 92% dos medicamentos testados e aprovados em animais falham quando são aplicados em humanos?

Outra pesquisa feita pela Universidade de Johns Hopkins concluiu que, através da grande base de dados de substâncias químicas que hoje temos catalogadas, podemos prever o grau de toxicidade de um produto com mais precisão do que os testes feitos em animais.

Hoje, felizmente, existem muitos métodos alternativos, que não usam do sofrimento de animais para aprovar o uso de produtos para humanos. 

Seguem alguns exemplos:

Culturas de Células 

Hoje em dia, quase todo tipo de célula humana e animal pode ser cultivada em laboratório. 

Em alguns casos, os cientistas conseguem até desenvolver as células em 3D, como pequenos órgãos humanos, dando a possibilidade de uma interação mais realista delas com os testes. 

Essas células, no lugar de animais, podem ser usadas para estudar diferentes processos biológicos e doenças, bem como a metabolização de drogas. 

Esta tecnologia é conhecida como "órgão em chip”, e o seu desenvolvimento utiliza materiais baratos e de fácil acesso. Já existem dispositivos que imitam com precisão pulmões, coração, rins e intestinos. 

Essas células têm sido cruciais no desenvolvimento para tratamentos de câncer, sepse, doenças renais e AIDS, e já são muito usadas em testes químicos de segurança, produção de vacinas e desenvolvimento de novos produtos. 

Tecidos Humanos 

Tecidos humanos doados voluntariamente podem ser alternativas muito mais eficazes do que testes em animais. 

A doação de tecidos saudáveis ou doentes é aquela que ocorre, por exemplo, com os tecidos retirados para biópsias, cirurgias plásticas e transplantes. 

Esses tecidos reconstituídos em modelos de pele e olhos feitos de pele humana podem ser usados no lugar de coelhos, que sofrem muito em testes de irritação dos olhos, por exemplo. 

Tecidos humanos também podem ser doados e usados para testes após a morte de uma pessoa. Tecidos cerebrais retirados de cadáveres ajudam cientistas a compreender a regeneração do cérebro e os efeitos da esclerose múltipla e de doenças como o Mal de Parkinson.

Modelos de computador  

Com a tecnologia e a ciência trabalhando cada vez mais lado a lado, os avanços de ambas têm sido muito mais promissores. 

Cada vez mais os computadores estão próximos de replicar, imitar ou modelar aspectos do corpo humano. 

Hoje já temos modelos computadorizados de coração, pulmões, rins, peles, sistemas digestivos e músculo-esqueléticos. Esses podem ser usados para experimentos virtuais quando confrontados com informações e dados matemáticos. 

Alguns sistemas também podem usar suas bases de dados para fazer previsões sobre o perigo de substâncias e da interação entre elas para os seres humanos. 

Estudos Voluntários 

Com todos esses avanços tecnológicos que citamos, podemos fazer testes em voluntários humanos de maneira muito segura e eficiente. 

Existe hoje, por exemplo, uma técnica inovadora de microdosagem, que pode ser usada em voluntários, para medir como doses muito pequenas de novos medicamentos se comportam e interagem com o corpo humano. 

Essas microdoses são intravenosas, radiomarcadas e medidas através de exames de sangue, podendo constatar pequenas e imperceptíveis alterações ou reações que os próprios voluntários não saberiam apontar. 

Estudos de nutrição, dependência química e dor também podem ser ministrados em voluntários que queiram cooperar com os estudos científicos para avanço da ciência médica. 

Esses estudos são muito mais eficazes do que os realizados em animais, por um motivo óbvio: humanos podem se comunicar e expressar o que estão sentindo. 

5 motivos pelos quais testes alternativos são mais eficientes que testes feitos em animais, segundo a Cruelty Free Internacional

  1. Testes de alergia de pele feitos em camundongos apenas predizem reações humanas de 72% a 82% das vezes. Porém, uma combinação de química e culturas de células mostrou prever com precisão as reações humanas em mais de 90% dos casos.
  2. Os famosos testes de irritação de pele feitos em coelhos prevê 60% das reações de pele em humanos. Mas o uso de pele humana reconstituída tem 86% de precisão.
  3. Testes feitos em ratas grávidas para descobrir se produtos químicos podem afetar o desenvolvimento dos bebês podem detectar até 60% das substâncias perigosas. Mas testes realizados em células (EST) tem 100% de precisão em detectar substâncias tóxicas. 
  4.  teste feito em ratos para prever substâncias cancerígenas demora até 2 anos e é capaz de prever o câncer humano em apenas 42%. Já um teste baseado em células (CTA), que já é usado há mais de 50 anos, pode prever até 90% das substâncias cancerígenas para humanos.
  5. O teste cruel e nada confiável da toxina de frutos do mar em camundongos vivos foi abolido e substituído por um estudo químico analítico muito superior e mais eficaz para humanos.

Quais as empresas que não testam animais? 

Como consumidores, temos a maior e a melhor arma que pode existir para ajudar a abolir os desnecessários e cruéis testes em animais, e essa arma se chama poder de compra.  

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Precisamos entender que as marcas, produtos e serviços estão no mercado em busca da nossa aprovação e, é claro, da nossa compra. 

As empresas podem tomar decisões que elas julgam moralmente melhores. Mas a realidade é que a maioria delas visa o lucro. Sendo assim, se elas não fazem por vontade própria, podemos ajudá-las no processo.

Quando for comprar produtos, só compre aqueles que veem o mundo como você e que não usam da dor, do sofrimento e da vida de animais para ganharem o seu dinheiro. 

Veja como algumas marcas se posicionam a esse respeito nos seus sites e redes sociais: 

A Natura faz teste em animais?

Segundo o site da empresa, a Natura não testa em animais desde 2006 e também só compra insumos e ingredientes de fornecedores que também não testam em animais. 

Desde de 2018, ela é certificada pela Cruelty Free Internacional, com o selo The Leaping Bunny. 

Também é reconhecida pela People for the Ethical Treatment of Animals, como empresa que não testa em animais, desde 2018. 

Seus produtos são considerados 100% vegetarianos, pois não utiliza nada que venha de animais, apenas derivados, como cera de abelha.

A Mary Kay faz teste em animais?

A empresa se posiciona contra os testes em animais no seu site oficial e diz ser uma defensora dos testes alternativos. 

Além de não testar seus produtos em animais, não solicita que outras empresas façam esses testes, também não utiliza ingredientes que foram testados em animais, a não ser que esses sejam exigidos por lei. 

A Nívea faz teste em animais?

Segundo o site oficial da empresa, a Nívea não realiza e não encomenda nenhum teste em animais para os seus produtos. 

Porém, assume que, em alguns casos raros, autoridades governamentais exigem e conduzem independentemente esses testes de acordo com as leis locais. 

Segundo a marca, na Alemanha, onde fica a sede da empresa, desde 2004 os testes em animais são proibidos para todos os tipos de cosméticos, e desde 2013 os ingredientes também não podem ser testados em animais. 

A empresa também se diz pioneira no desenvolvimento de testes alternativos. 

A Seda faz testes em animais?

A marca é certificada pela People for the Ethical Treatment of Animals (PETA). Isso quer dizer que ela não realiza testes em animais em seus ingredientes, fórmulas e produtos em nenhum lugar do mundo. 

A Seda faz parte do grupo Unilever, que, segundo o site da empresa, apoia o banimento mundial de teste em animais para cosméticos até 2023

A marca se diz na busca por oportunidades e maneiras de apoiar o planeta e todos os seres que nele habitam. 

O Boticário faz teste em animais?

A marca diz usar mais de 50 testes alternativos para não ter que testar seus produtos, ingredientes ou fórmulas em animais. 

O Boticário tem o reconhecimento da People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) e da Cruelty Free Internacional. 

Também diz ser a primeira empresa brasileira a usar pele 3D desenvolvida a partir de tecidos descartados de cirurgias plásticas, utilizadas nos testes para loções hidratantes e maquiagens. 

A Avon faz teste em animais?

A Avon também foi reconhecida pela People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) como uma empresa que não testa em animais.

Em 2019, tornou-se a primeira empresa global de beleza com operações na China a eliminar completamente os testes em animais para todos os ingredientes, em todas as linhas de produtos, em qualquer lugar do mundo. 

Com isso, segundo o site oficial da empresa, ela teve que desenvolver novas maneiras de comercializar no mercado chinês, reformulando alguns produtos e descontinuando algumas linhas que não eram possíveis de serem reformuladas.

Embora tenha havido muitas mudanças nas últimas décadas, e principalmente nos últimos anos, esta é uma discussão que vai ficar no nosso dia a dia durante muito tempo ainda. Afinal, a tecnologia tem permitido que possamos alcançar grandes evoluções, para que evitemos cada dia mais que os animais estejam à nossa disposição em processos dolorosos de desumanos.

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E você? Qual é a sua percepção sobre os testes em animais? Tem feito as suas escolhas levando em conta as marcas que evitam essa prática?

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