Vegano ou vegetariano, qual é o melhor para você?
julho 29, 2021

Vegano ou vegetariano, qual é o melhor para você?

por Equipe Linus

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O número de veganos e vegetarianos vem aumentando muito nos últimos tempos. O mercado de produtos para esse nicho também está cada vez mais concorrido, conquistando não só os consumidores que assumem essas ideias, mas pessoas que buscam uma vida mais saudável e consciente. Porém, existe alguma diferença entre vegetarianismo e veganismo? Sim, existe! E a gente vai explicar tudo direitinho para você.

Você sabe o que é vegetarianismo?

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, o vegetarianismo é um regime alimentar que exclui produtos de origem animal. São diversas as razões que levam as pessoas a assumirem essa dieta. Pode ser por questões éticas, espirituais, ambientais ou até mesmo nutricionais. A dieta vegetariana inclui legumes, verduras, frutas, grãos, cereais, sementes, castanhas e, em alguns casos, ovos, mel e laticínios. Ela restringe totalmente as carnes, peixes, frutos do mar, insetos, gelatinas e gorduras de origem animal, como banha de porcos ou bovinos.

A história do vegetarianismo

Acredita-se que as primeiras manifestações vegetarianas aconteceram de forma ritualística, como purificação ou qualificação para exercer posições religiosas.

Os primeiros movimentos em defesa de uma dieta sem carne aconteceram no meio do primeiro milênio antes de Cristo, nas regiões do Mediterraneo Oriental e da Índia, devido ao início do pensamento filosófico. Pitágoras (530 aC) acreditava que todos os animais faziam parte de uma mesma família e reivindicava a benevolência humana e o respeito a todos eles. Mais tarde, Platão e outros filósofos pagãos, como Epicuro, Plutarco e principalmente os neoplatonistas, acreditavam que uma dieta sem carne era o caminho para evitar o sacrifício de animais. Nessa época, as crenças na reencarnação das almas começaram a se tornar mais populares, trazendo à luz princípios de harmonia e respeito à natureza como um todo.

Na Índia, os adeptos do Budismo e do Jainismo se recusavam, por motivos religiosos e míticos, a matar animais para se alimentar, pois na visão deles os seres humanos não poderiam causar dor e sofrimento a nenhum tipo de criatura. Esses pensamentos foram aos poucos se difundindo e sendo adotados por outros grupos religiosos, como no Bramanismo e no Hinduísmo, que via, principalmente, as vacas como seres sagrados.

Aos poucos, as crenças foram ganhando outros territórios, e se espalhando pelo mundo. Em algumas leituras da bíblia hebraica, por exemplo, existe uma crença de que, no Paraíso, os primeiros seres humanos não comiam carne. Também ordens monásticas excluíam o consumo de carne, como forma de penitência e exercício espiritual de fé, para todos os adeptos. Alguns santos, como Santo Antônio, praticavam publicamente sua abstenção de carne.

Do século 17 ao 19

Nessa época, uma grande onda moral, humanitária e progressista se difundiu pela Europa e começou a fomentar novamente a sensibilidade pelas vidas e contra o sofrimento dos animais. Alguns grupos protestantes também passaram a adotar uma dieta sem carne, com o objetivo de viver sem pecado. Pessoas de diferentes filosofias também passaram a adotar o vegetarianismo. Voltaire se manifestou publicamente a favor da prática. E, no fim do século 18, o filósofo utilitarista Jeremy Bentham comparou o sofrimento dos animais com o sofrimento humano, e passou a condenar qualquer tipo de crueldade animal.

A primeira sociedade vegetariana foi fundada na Inglaterra, em 1847, com princípios cristãos. A União Vegetariana Internacional foi fundada em 1889, dando inicio a diferentes movimentos, com ideologias diversas, difundindo-se por todos os cantos do mundo.

Vegetarianismo hoje!

Atualmente, existem infinitas sociedades vegetarianas e grupos que reivindicam o direito dos animais. Muitos livros sobre o vegetarianismo já foram publicados, inúmeras receitas, dietas e estilos de vida são postados diariamente na internet. As razões que deram início ao vegetarianismo ainda seguem relevantes, e hoje podemos ainda incluir os impactos ambientais que o consumo de carne causa ao nosso planeta.

Conheça os principais tipos de vegetarianismo

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Existem muitas maneiras de aderir ao vegetarianismo, e cada um pode escolher aquelas que se adequam melhor ao seu estilo de vida e a suas visões de mundo. Muitos vegetarianos acreditam que o processo deve ser gradual e que passar pelos diferentes tipos de vegetarianismo é fundamental para que as mudanças alimentares não sejam sofridas e passageiras. Conheça os principais tipos de vegetarianismo:

Ovolactovegetarianismo

São os vegetarianos que, apesar de não comerem carnes e peixes, incluem em sua dieta ovos, leites e seus derivados. Segundo os adeptos dessa dieta, esses produtos podem ser obtidos sem o sacrifício animal. No ocidente, muitos seguem esse regime, constituindo grande parte dos adeptos do vegetarianismo. A influenciadora Maísa recentemente declarou ser adepta dessa dieta em um vídeo publicado no canal do YouTube, que você pode ver aqui.

Lactovegetarianismo

Diz respeito aos vegetarianos que não comem derivados de carne ou ovos, mas incluem leite de animais e laticínios em sua dieta.

Ovovegetarianismo

Os adeptos dessa dieta não consomem nenhum tipo de carne ou leite, mas consomem ovos e produtos à base deles.

Vegetarianismo estrito

São os vegetarianos que não se alimentam de nenhum produto derivado de animais, incluindo ovos, peixe e mel. Esses são os que mais se confundem com os veganos. Mais abaixo a gente explica.

Dieta vegana: tudo que você precisa saber

De acordo com a Vegan Society, o veganismo é uma filosofia e modo de vida que busca excluir, sempre que possível, todas as formas de exploração e crueldade contra os animais, tanto na alimentação como em roupas e qualquer outro tipo de consumo.

O veganismo também tem o trabalho de fomentar e promover o desenvolvimento e o uso de alternativas livres de animais para o benefício de outros animais, seres humanos e meio ambiente. Na dieta, exclui-se absolutamente qualquer tipo de alimento derivado de animais ou de produtos que de alguma maneira tenham usado, durante o processo de fabricação, algum tipo de derivado animal.

A história do veganismo

A história do veganismo começa com a história que já contamos do vegetarianismo, afinal os dois partem de um mesmo princípio: não consumir animais.

Foi em 1944, quando um marceneiro britânico chamado Donald Watson, incomodado com os ovolactovegetarianos, criou o termo “veganismo”, que na época seria o que hoje acreditamos ser os veganos restritos. Nesse mesmo ano, 40% das vacas leiteiras da Grã-Bretanha estavam contaminadas com tuberculose, e ele acreditava que era preciso parar de consumir o leite para preservar a saúde dos humanos. Ele, inclusive, fez uma explicação formal, no boletim da Vegan Society, que contava na época com 25 assinantes, explicando que a pronúncia deveria ser “veegan e não veejan”. Os seus esforços cativaram muitos seguidores e, quando ele morreu, com 95 anos, havia 250.000 pessoas que se denominavam veganos na Grã-Bretanha e 2 milhões nos EUA.

Mas o que realmente é o Veganismo?

O veganismo condena qualquer tipo de consumo de origem animal ou que tenha qualquer interação com animais no processo. Excluir alimentos de origem animal é apenas uma das muitas ações que os veganos praticam. Os veganos não comem mel e não consomem medicamentos (quando possível) que tenham algum componente que seja de origem animal.

Cabe a cada vegano decidir a extensão do seu veganismo e, por isso, existem grupos diferentes de veganos, alguns mais restritos do que outros. Por exemplo, alguns veganos, além de não consumirem roupas de couro, também não usam travesseiros de plumas e não bebem cerveja ou vinho que usem clara de ovo no processo de clarificação. Alguns mais restritos vão além, e não consomem vinhos cujos funcionários na colheita das uvas usaram luvas de couro. Outros não consomem pão em que a assadeira foi untada com gordura animal, como manteiga ou banha, cereais que incluem glicerina animal, e açúcar refinado com carvão ósseo. Veganos também, assim como alguns vegetarianos, não consomem cosméticos que são testados animais e são os principais consumidores de produtos cruelty free. E, também, não frequentam zoológicos, aquários ou fazem passeios de charrete, que usam a vida dos animais como forma de entretenimento.

Enfim, veganos não compactuam com nada que envolva o sacrifício, o trabalho ou os esforços vindos de animais.

Os valores éticos veganos

O maior objetivo do veganismo é acabar com a exploração e a crueldade com os animais. Existem várias razões éticas que motivam os veganos. Seguem algumas razões éticas sugeridas pela Sociedade Vegana Britânica:

  • Dor e sofrimento: causar dor, sofrimento, medo e angústia em animais é o maior argumento ético e moral dos veganos.
  • Consciência e personalidade: muitos cientistas hoje acreditam que animais experimentam níveis de consciência suficientes para serem tratados com a mesma dignidade que tratamos os humanos.
  • Meio ambiente: hoje não há mais dúvida de que a pecuária é uma das maiores vilãs do meio ambiente e os impactos que causam no planeta são inaceitáveis.
  • Bem-estar humano: seria ético vender alimentos que causam doenças gravíssimas nas pessoas, como carnes processadas? Os veganos acreditam que o bem-estar humano está totalmente ligado ao não consumo de carnes.

Então, o que é uma pessoa vegana?

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Os veganos são aqueles que se sentem seguros e capazes de viver de maneira integral, sem que haja a necessidade de incluir a dor e o sacrifício animal nas suas vidas. A não ser que tenham nascido em uma família vegana, o que é muito difícil, os veganos passam por grandes processos de autoconhecimento e de busca de informações para se adaptarem a esse novo estilo de vida.

O que os veganos comem?

Se você não é vegano, tenho certeza de que essa é a primeira pergunta que passa na sua cabeça. Para os não adeptos desse estilo de vida, parece ser impossível. Mas uma dieta vegana saudável pode ser muito variada de grãos, legumes, cereais, frutas e um número quase infinito de alimentos derivados de plantas.

Hoje, devido ao recente aumento de adeptos, pode-se encontrar alimentos muito familiares, como salsichas, hambúrgueres, sorvetes, queijos, iogurtes e muitos outros que são feitos à base de plantas e sem o sacrifício animal. Alguns alimentos fazem parte diária da alimentação dos veganos, como os leites vegetais de soja e castanhas, a levedura nutricional, as carnes de soja e os diferentes tipos de cogumelos. Os alimentos fermentados também são populares em uma dieta vegana, como o missô, o kimchi e o tempeh, que é um produto fermentado da soja, muitas vezes utilizado no lugar do tofu. Eles também comem muito do que os não veganos consomem no dia a dia, como arroz, feijão e batata frita no óleo vegetal e macarrão (sem ovo na massa) com molho de tomate. Todas essas são opções veganas, além dos pães, que na sua grande maioria também são veganos.

Embora pareça muito difícil, a dieta vegana é classificada injustamente como um dieta restritiva. E ela tem muito mais a ver com a inclusão de inúmeros tipos de alimentos, o aumento das variedades e a diversidade dos pratos do que com restrições.

Custos para ter um alimentação vegana

Muitas pessoas acreditam que sim, que ser vegano é mais caro. Mas isso tem muito mais a ver com a maneira como você se alimenta do que com a dieta vegana em si. Assim como qualquer produto fabricado para nichos, os produtos voltados para os veganos tendem a ser mais caros, como os hambúrgueres, os queijos, etc.

Porém, esses produtos não são essenciais e podem ser substituídos por outros, ou ainda feitos em casa. O preço do quilo do grão de bico, com toda a certeza, é menor do que o preço do quilo de carne. Então, a dieta vegana pode ser cara ou barata de acordo com as escolhas alimentares de quem a consome.

Mas então qual a diferença do veganismo e do vegetarianismo?

Quando pensamos que alguns veganos consomem ovos e laticínios, é fácil entender qual é a diferença entre eles e os veganos. Porém, quando comparamos os vegetarianos restritos e os veganos, parece que as diferenças ficam menos visíveis. Mas a grande diferença é que, embora os vegetarianos também não compactuem com o sacrifício animal, o vegetarianismo está mais relacionado à dieta e o veganismo ao estilo de vida. Veganos, como explicamos, não só não comem carne e produtos derivados de animais. Eles vão muito além da alimentação e excluem qualquer tipo de produtos e serviços que incluam em algum momento a exploração de animais.

O que é mais saudável ser: vegetariano ou vegano?

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Nenhum dos dois, o que é mais saudável é ser uma pessoa que busca ser saudável. Se você for um vegetariano que vive de macarrão ou um vegano que só come arroz, feijão e batata frita, você não será saudável. Por exemplo, ao contrário dos veganos, os lactovegetarianos obtêm cálcio, fósforo e vitamina D dos laticínios. Porém, evitar lacticínios e ovos é exatamente o que pode ajudar os veganos a manterem seus níveis de colesterol mais baixo. Os veganos correm o risco de sofrerem com a falta de Ômega-3, mesmo que consumam as fontes vegetais desses nutrientes. Já os ovolactovegetarianos podem suprir essa necessidade consumindo ovos.

Porém, segundo um estudo feito em 2019 com adultos argentinos que se identificam como veganos e vegetarianos, descobriu-se que os veganos tendem a fazer escolhas mais saudáveis e completas de nutrientes do que os vegetarianos. Em qualquer tipo de dieta, o importante são as escolhas que fazemos e não a dieta em si. Então, dá para ser saudável no veganismo e no vegetarianismo na mesma proporção que dá para não ser.

Benefícios que não comer carne traz para a nossa saúde

Muitos estudos científicos hoje sugerem que dietas à base de plantas oferecem muitos benefícios à nossa saúde.

Um estudo feito em 2017 analisou a eficácia de uma dieta sem carne em 49 adultos com sobrepeso ou obesidade, que tinham também pelo menos uma dessas condições: diabetes tipo 2, doenças cardíacas e altos níveis de colesterol. Os pesquisadores designaram aleatoriamente os participantes para um dieta normal com baixo teor de gorduras ou uma dieta à base de plantas com baixo teor de gorduras, incluindo alimentos integrais, mas sem nenhum tipo de contagem de calorias ou exercícios físicos obrigatórios.

No acompanhamento de 6 a 12 meses, os participantes do grupo da alimentação à base de plantas tiveram reduções significativas do IMC corporal e nos níveis de colesterol em comparação com o outro grupo.

Impacto do vegetarianismo ou veganismo no meio ambiente

Em 2050, seremos 10 bilhões de pessoas vivendo no planeta e estaremos consumindo os recursos naturais mais rápido do que a capacidade que o nosso planeta tem de repor. Estima-se que precisaremos do equivalente a 3 planetas para conseguir suprir as necessidades que temos hoje. Agora, saiba como a dieta vegetariana e vegana pode nos ajudar a manter nosso planeta saudável:

Reduzindo a emissão de CO2

Nosso planeta está cada vez mais quente. Hoje, já vivemos uma emergência global com níveis de aquecimento muito acima do que nosso planeta pode suportar. Substituir a carne por alimentos à base de plantas ricas em proteína, como nozes, sementes, feijões e lentilhas, nos ajudaria a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Todo o processo de produção de proteína animal da fazenda até o nosso prato emite 30% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Diminuir a sua pegada ambiental

Você sabe qual é o impacto que a sua vida causa no nosso planeta? Já ouviu falar sobre pegada ambiental? Aqui a gente explica tudo sobre isso. Ao assumir uma dieta a base de plantas por um ano, você pode economizar a mesma quantidade de emissões de um carro pequeno de uma família por 6 meses. Talvez viver sem seu carro hoje seja muito complicado, mas você pode impactar menos apenas assumindo uma dieta vegetariana ou vegana.

Diminuir o uso prejudicial da terra

Uma dieta à base de plantas requer duas vezes e meia menos quantidade de terra necessária para o cultivo de alimentos, em comparação a uma dieta à base de carnes. No Reino Unido, o gado consome mais da metade dos 20 milhões de toneladas de cereais cultivados. Isso equivale a mais de 50% do trigo e 60% da cevada cultivada.

Conteúdos para ajudar você a entender mais sobre veganismo e vegetarianismo

A gente sabe que tudo isso é muita informação para processar de uma vez só. E não precisa ser assim. Caso você tenha se interessado sobre esse assunto, separamos alguns conteúdos para ajudar a descobrir muito mais sobre o veganismo e o vegetarianismo.

Cowspiracy - Netflix

Descubra como a agropecuária intensiva está dizimando os recursos naturais do planeta e por que essa crise tem sido ignorada por grandes grupos ambientalistas.

Nosso Planeta - Netflix

Com imagens nunca vistas, o ambicioso documentário traz a beleza natural do nosso planeta e mostra como as mudanças climáticas têm impactos sobre todas as criaturas vivas.

What the health? - Netflix

O elo entre alimentação, doenças e os bilhões de dólares em jogo do sistema de saúde, indústria farmacêutica e alimentar é examinado de perto no filme.

Terráqueos

O documentário mostra como funcionam, de verdade, as fazendas industriais e relata a dependência da humanidade dos animais para obter alimentação, vestuário e diversão, além do uso em experimentos científicos.

Então, a gente sabe que se tornar vegetariano ou vegano não é simples, mas sempre é interessante dar o primeiro passo.

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Você já pensou em como pode colaborar com a diminuição do sofrimento dos animais e com a sustentabilidade do planeta?

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