Linus Urucum e uma conversa sobre a representação indígena brasileira

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Nesta semana, nós lançamos mais uma cor de Linus: a Urucum, nosso tom de vermelho puro. 

Geralmente, as etapas de criação envolvem conversas com a comunidade (nós registramos cada sugestão de cor de vocês!), testes de cores, definição do calendário de lançamento, escolha do nome e planejamento da campanha.

Nos testes de cor, nós acertamos o tom exato logo na primeira amostra que fizemos! Foi, provavelmente, a cor mais tranquila para desenvolver dentre nossa coleção atual.



(Estes são todos os testes que nós fizemos no começo do ano! Tem muita cor para sair nos próximos meses 😉)

Se a reunião para escolher a cor final foi rápida, a reunião para decidir o nome foi o contrário: pitanga, morango, amor, paixão, red, carmim, cereja… Passamos por todos os nomes que você pode imaginar. Até que chegamos em Urucum.

Talvez um pouco diferente quando você escuta pela primeira vez? Talvez. Mas representava a cor da sandália da forma mais fiel possível, é um nome único e nos remete ao Brasil. Perfeito.

Com o nome definido, o próximo passo é planejar o lançamento. O que vem à cabeça quando você ouve a palavra urucum? Para nossa equipe, logo pensamos na cultura indígena e nas pinturas corporais feitas com o pigmento do fruto. 

Urucum vem do tupi uru-ku, que significa vermelho. Mas sabia que o tupi é apenas um dos vários troncos linguísticos indígenas que existem no Brasil? E todos os troncos se desdobram em várias famílias linguísticas, que se desdobram em muitas línguas diferentes (muitas mesmo).

Quando nós começamos a ler sobre as inúmeras ramificações, pensamos na diferença que existe entre a representação indígena que conhecemos pela mídia e a diversidade cultural que existe na realidade.

Então, nós convidamos a Alice Pataxó para conversar e entender um pouco mais sobre a diversidade indígena no Brasil - a Alice é estudante de Humanidades, ativista, palestrante e comunicadora indígena. 

Na língua Patxôhã, falada pelos Pataxó, o urucum é, na verdade, Kanurú. “Eu sempre brinco que é aleatório, mas são línguas completamente diferentes [...] A gente se depara com informações que não ajudam em nada a entender o fato de que existem muitas culturas e povos, e acabamos sendo pintados de uma única maneira”.

Quando falamos de cultura indígena na moda, então, parece que as representações são ainda mais generalizadas.

“É uma briga eterna”, ela conta. “Estamos falando de grandes marcas que usam indevidamente as nossas imagens. Não só as pinturas, que eles não conhecem os significados, mas o rosto das pessoas. Ainda acham, no Brasil, que nem a cultura indígena e nem o ser indígena têm direito sobre a sua própria imagem”.

Como uma marca que acredita no consumo ético e consciente, sabemos da importância de consumir e apoiar negócios locais, criados e desenvolvidos por brasileiros. No entanto, dentre as inúmeras marcas que a gente vê por aí em sites e redes sociais, quantas vieram de empreendedores indígenas?

"Eu quero poder dizer que comprei de uma marca indígena, que aquilo vai beneficiar alguma comunidade no fim das contas. Não é só uma questão de como eu quero me vestir, mas de como eu quero representar meu povo, como eu quero que eles sejam recompensados por isso”.

Nossa equipe já era fã do trabalho da We'e'ena Tikuna, que além da moda, também explora o artesanato e a música. E a Alice ainda nos indicou o trabalho da estilista Dayana Molina, da NALIMO.

No final das contas, ela acredita que estamos no caminho certo: “estamos aqui para compartilhar histórias felizes e bonitas e a internet possibilitou isso”.

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Você já tinha parado pra pensar na diversidade linguística e cultural que existe dentre os povos indígenas brasileiros? E em relação às marcas, tem alguma para nos indicar? Vamos continuar a conversa nos comentários :)

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