Nomofobia: o que é, sintomas e tratamento
maio 18, 2022

Nomofobia: o que é, sintomas e tratamento

por Equipe Linus

nomofobia

As nossas vidas passaram por algumas revoluções nos últimos anos. E a principal delas tem um grande responsável: o smartphone. Isso mesmo! Grande parte da organização do nosso cotidiano atualmente está no nosso celular.

Com essa transformação no dia a dia, o mundo todo passou a ficar nas nossas mãos: notícias, vídeos, agenda, saúde, estudos, conversas, ferramentas de trabalho. Tudo a apenas alguns cliques ou comandos de voz.

Porém, apesar de todos os aspectos positivos, houve também uma grande transformação na forma que administramos o nosso tempo. O momento do trabalho, da interação com os amigos, com a família e até mesmo o tempo do descanso passou a ser invadido por esse objeto.

E, quando ele começa a atrapalhar a concentração, a sociabilidade e o foco no trabalho, ele representa uma ameaça, que pode ser vista também como um distúrbio: a nomofobia.

Vamos conversar sobre isso?

Nomofobia: o que é?

A nomofobia é o mal-estar (fobia quer dizer medo, temor) de ficar desconectado, sem acesso à internet e sem o celular. Você já se sentiu assim? Com medo de perder alguma coisa por não estar conectado? Procurando uma senha de wi-fi ou um carregador para o seu celular? Então, pode ser que você esteja convivendo com a nomofobia.

Existem estudos importantes que estão sendo desenvolvidos para compreender esse fenômeno, que tomou conta de uma parte importante da população e acaba trazendo resultados muito complicados, principalmente quanto à vida social, ao desenvolvimento das atividades diárias e a inúmeros outros aspectos da vida.

Esta monografia é um exemplo dos trabalhos acadêmicos que têm sido desenvolvidos para falar sobre o tema e discutir as possibilidades de tratamento e de como evitar este problema cada vez mais presente entre pessoas de todas as idades.

Nomofobia: significado e origem do termo

A palavra nomofobia, embora tenha o sufixo fobia, que vem do grego fobos (que, como dissemos, significa medo, temor), tem origem em um termo em inglês, que é no-mobile.

No-mobile significa sem celular, e por isso a expressão foi reduzida para no-mo e seguida pelo sufixo fobia, que está presente em uma série de outras doenças, vícios e patologias, como agorafobia, ou o medo de estar em lugares públicos, por exemplo.

nomofobia

Portanto, a nomofobia é a fobia de ficar sem celular (no-mobile), mas que pode também se manifestar pela ausência do computador, dos relógios conectados e dos ambientes digitais em geral.

Nomofobia é uma doença ou um vício?

Como um fenômeno novo, há ainda inúmeras dúvidas sobre como pode ser definida a nomofobia. Por isso, embora muita gente pense apenas que o uso do celular e dos aparelhos conectados pode ser considerado um vício, a sua ausência pode trazer ou aprofundar problemas muito sérios ligados à saúde mental.

Mesmo que não seja ainda reconhecida como uma doença isoladamente, ela pode despertar transtornos de ansiedade e ocasionar mudanças de comportamento ligados a problemas psiquiátricos. E já existem grupos de médicos e pesquisadores que estão defendendo que ela seja considerada um distúrbio mental, com código e diagnóstico específico.

Por tudo isso, quando a ausência do celular ou da interação com os ambientes digitais ocasiona comportamentos ou sensações incontroláveis, a ida ao médico (preferencialmente ao psiquiatra) é essencial para que haja a atenção necessária.

Nomofobia: causas principais

O conforto do uso do celular e da internet, principalmente das redes sociais, pode fazer com que as pessoas se sintam ligadas aos grupos e tenham a sensação de controle sobre o que acontece em cada um deles.

Por isso, quando essa sensação passa a ser mais importante do que a sociabilidade da vida real, este pode ser um alerta de que há algum problema em desenvolvimento.

Essa possibilidade de dependência começou já há algumas décadas, com a chegada da internet. Porém, com o tempo e a possibilidade de carregar para todos os lados os aparelhos conectados, principalmente o celular, ela ficou ainda mais evidente.

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Principalmente durante a pandemia de covid-19, em que as pessoas se sentiram muito mais ligadas umas às outras pelos aparelhos conectados, uma parte importante da população passou a desenvolver os sintomas ligados à nomofobia.

Ela pode ser observada como o resultado do isolamento social, mas também pode motivá-lo. Por isso, é fundamental que você se observe e também esteja preparado para ajudar as pessoas com as quais você convive.

Como diagnosticar a nomofobia?

Uma dúvida que a gente sempre tem é se realmente o uso do celular está fora de controle. Afinal, quando é que é possível dizer que alguém desenvolve a nomofobia.

O primeiro passo é que, antes de negar que você está com essa dependência, vale a pena reconhecer quanto a ausência do aparelho faz com que você fique descontrolado, ansioso ou irritado. Isso porque, todos nós, em graus diferentes, sentimos essa falta.

Observe como fica a sua vida longe do celular e, se você puder, também peça para as pessoas com as quais interage para que elas observem. Afinal, nada melhor do que a ajuda mútua para que todos possam evitar que os problemas se agravem.

Discuta com a família e os amigos sobre os limites e sobre como a convivência tem sido influenciada pelo uso dos aparelhos.

Nomofobia: sintomas básicos

Veja então alguns sintomas fundamentais para reconhecer a nomofobia em você mesmo ou em outras pessoas.

Anote sempre se esses sintomas estão no seu dia e acompanhe com frequência. Afinal, em momentos de estresse no trabalho, por exemplo, você pode desenvolver mais essa dependência, até mesmo devido à necessidade de acompanhar as discussões de grupos profissionais que invadem os momentos que deveriam ser de descanso.

Além de observar agora, faça isso periodicamente, porque as nossas interações com o celular se modificam de acordo com as novas ferramentas e facilidades, que cada vez mais estão embarcadas nos sistemas.

Por isso, observe:

Incapacidade de desligar o celular

Desligar o celular é cada vez menos necessário. Afinal, os aparelhos são desenvolvidos para que você os mantenha ligados 24 horas por dia.

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Porém, é fundamental que você possa se distanciar do celular. E isso é mais fácil se você desligá-lo em determinados momentos do dia, principalmente na hora de dormir.

Checar o celular a todo instante, de maneira obsessiva

O número de vezes que você checa o celular diz muito sobre a possibilidade de você estar desenvolvendo a nomofobia.

Para saber se esse número está muito alto, no próprio celular, veja quantas vezes você o acessa por dia. Essa informação fica, em geral, no mesmo lugar em que você vê quanto tempo esteve em cada aplicativo.

Alteração de humor e irritabilidade por falta de conexão com a internet

Se você chega a algum lugar que não tem sinal ou wi-fi e fica irritado, sem conseguir se concentrar nem conversar tranquilamente com as pessoas, isso pode ser sinal de nomofobia.

Por isso, comece a testar se isso acontece com você. Se sim, tente aumentar o tempo sem ter acesso ao celular para começar a diminuir a dependência.

Se realmente você não conseguir se socializar sem ter certeza de que está conectado, procure ajuda médica ou psicológica.

Preocupação constante com a bateria do celular

Quando você vive com o carregador do celular ou com a bateria extra (power bank), esse também pode ser um sinal de que você está desenvolvendo nomofobia.

Além disso, se você se irrita ao ver que a bateria está terminando e começa a procurar alguma forma de carregar, também precisa observar com atenção.

Da mesma forma que a ausência de wi-fi, esse é um sinal de que as coisas estão ficando fora de controle.

Deixar de socializar para ficar no celular

Se você não consegue mais manter uma conversa sem olhar para o celular e interrompê-la várias vezes, seja no trabalho, com os amigos ou com a família, isso também pode indicar a nomofobia.

Por isso, observe-se e, se possível, pergunte para as pessoas à sua volta se elas observam essa dificuldade em você.

Saiba sempre que a vida social pode até ocorrer pelo celular, mas ela realmente é importante para quem está à sua volta. Por isso, é importante repetir que você tenha nas pessoas próximas uma referência para saber se está ou não sofrendo com a nomofobia.

O que a nomofobia pode provocar?

São inúmeras consequências que a nomofobia pode causar. Desde os problemas de sociabilidade, a perda de amizades, de produtividade no trabalho e a falta de concentração e foco, até consequências físicas e psicológicas, como você poderá ver adiante.

Por todos os motivos que você vai ver aqui, é essencial entender os limites da utilização dos aparelhos conectados, mesmo que a sua atividade de trabalho dependa disso.

Tente definir as tarefas, o tempo de conexão e qual a sua disponibilidade para usar as redes. Isso porque, mesmo que você tenha aumentado muito o seu tempo de trabalho durante a pandemia, como aconteceu com muita gente, não é possível trabalhar o tempo todo.

Também entenda que as pessoas podem, sim, ficar sem as suas respostas por algum tempo. Afinal, mesmo que sejam chefes ou colegas de trabalho, elas devem respeitar o seu tempo e os seus limites.

Consequências físicas

A coluna vertebral, principalmente na região cervical, tem inúmeros problemas quando há uma utilização muito grande do celular. Isso se dá porque o pescoço fica voltado para baixo por muito tempo, fazendo com que o peso da cabeça pressione os discos vertebrais e ocasionando inclusive hérnias e pinçamentos dos nervos que percorrem os braços.

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O uso excessivo do celular também pode fazer com que fiquemos mais tempo sentados, o que pode trazer problemas para a coluna lombar e sacral, além de problemas de postura.

Outros problemas podem ocorrer pela utilização errada dos braços e das mãos, desenvolvendo as lesões por esforços repetitivos, que antigamente ocorriam principalmente nas pessoas que trabalhavam com digitação.

Consequências psicológicas

Há inúmeros problemas psicológicos que podem ser causados ou influenciados pelo uso excessivo do celular. Por isso, observe muito bem se você tem desenvolvido esses problemas.

O principal problema que a nomofobia traz é a ansiedade, ligada à possibilidade de ficar sem o aparelho ou na tentativa de ter contato cada vez maior com os conteúdos.

Porém, além da ansiedade, pessoas que já tenham episódios de depressão podem desenvolvê-los ainda mais. Portanto, qualquer que sejam os problemas que você observa na utilização excessiva do celular, procure ajuda especializada.

Teste de nomofobia: descubra se você é viciado em celular

Existem várias formas de você observar se está desenvolvendo nomofobia. O mais importante deles é contar quantas horas você está passando no celular. E, além disso, quanto você fica incomodado ao ficar longe dele.

Afinal, a nomofobia já é uma realidade no Brasil. De acordo com uma pesquisa da empresa Digital Turbine, citada em matéria publicada na revista Veja, uma parcela considerável das pessoas se revela incapaz de se ver distante do telefone: 39% da população diz não conseguir ficar longe dele por mais de uma hora, sendo que 20% não suporta nem trinta minutos sem a sua presença.

Então, para saber se você precisa se preocupar, responda a estas perguntas:

  • Você acorda de madrugada para verificar as redes sociais?
  • As pessoas com quem você convive têm reclamado que você passa muito tempo conectado?
  • Você tem deixado de sair de casa para ficar nas redes?
  • Você deixou de entregar alguma atividade de trabalho ou de estudo porque perdeu tempo nas redes?
  • Você anda sempre com carregador do celular ou power bank, mesmo quando não há atividade profissional ligada ao uso do celular?
  • Você fica irritado quando no lugar em que está não tem sinal de celular?
  • Você não consegue ficar mais de 30 minutos conversando sem olhar para o celular?

Se você respondeu com sim a essas perguntas, precisa observar com cuidado e tentar diminuir o uso. Se não conseguir, a ajuda profissional é a mais indicada, com um médico psiquiatra ou um psicólogo.

Nomofobia: tratamento e dicas para diminuir o uso do celular

Para que a nomofobia não seja um componente que atrapalhe a sua vida e a sua produtividade, desenvolva algumas práticas para evitar que o celular esteja sempre presente.

Se você já está tendo dificuldades, é importante adotar as dicas adiante aos poucos, para não desanimar e deixá-las de lado rapidamente.

Assim como todo processo de vício ou de transtorno, a observação deve ser constante e os passos devem ser conquistados a cada dia, sem cobranças exageradas.

Desligue o celular antes de dormir

Um sinal de que você está com dificuldade de desconectar é quando deixa o celular ligado ao lado da cama na hora de dormir.

Então, uma boa opção é desligá-lo algum tempo antes de dormir, o que faz com que os olhos também não sejam mais impactados pela luminosidade do aparelho.

Estabeleça horas para uso prolongado

É fundamental, principalmente se você usa o celular para trabalhar, que haja na sua agenda diária alguns momentos específicos para a utilização.

Por isso, defina da melhor forma as horas de uso, para que ele seja um facilitador da sua vida profissional, mas que não faça parte da sua rotina durante todo o tempo.

Evite utilizar o celular enquanto socializa com amigos e familiares

Nos momentos de conversa, lazer e socialização, evite o uso do celular, deixando-o apenas para questões como observar se alguém está chegando ou buscar tirar alguma dúvida que todos tiveram juntos.

Se o uso do celular não tem a ver com a interação com as pessoas que estão com você, evite.

Busque um especialista para obter o tratamento adequado

Como já dissemos aqui, é fundamental ter cuidado com a sua saúde mental e física nos casos de nomofobia.

Por isso, a ajuda médica é importante. Não tenha medo nem vergonha de procurar auxílio, pois isso vai fazer com que você evite que o problema se torne ainda maior.

Apps para manter o controle de tempo gasto com o celular

O seu celular já tem ótimas maneiras para você controlar o uso. Todos eles têm formas de travar os aplicativos quando o tempo de utilização passar do que for definido.

Mas, além disso, alguns aplicativos também podem ser úteis, por serem mais completos e terem maneiras interessantes de interagir com a nomofobia.

Aqui estão dois deles:

Forest

O Forest é um aplicativo de produtividade popular que ajuda as pessoas a vencer o vício em celular e gerenciar o tempo de uma maneira interessante e agradável.

Os usuários podem ganhar créditos ao não usar seus celulares e plantar árvores reais ao redor do mundo com eles.

Não é uma ótima ideia?

Plantie

O Plantie (para IOS) é uma opção que também permite que você dê um tempo do celular.

Nele, você constrói uma pequena árvore enquanto passa um período distante de seu celular.

É uma maneira de usar as próprias possibilidades da tecnologia para ficar distante dela.

Que tal se observar e ajudar outras pessoas também?

Então, agora que você já sabe bastante sobre a nomofobia, se você está achando que pode estar se tornando dependente do uso do celular, não deixe de buscar ajuda. Afinal, quanto antes você reconhecer que isso é uma realidade, mais rapidamente vai se livrar dela.

Além de se observar, inclua na sua rotina atividades de atenção plena em você mesma, para que o uso do celular também seja evitado. Uma rotina de autocuidado pode ser muito importante. Que tal então ver as que indicamos neste texto?

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E, se você acha que tem algum amigo ou familiar que precisa de ajuda especializada, mas tem dificuldade de reconhecer isso, que tal mandar este artigo para auxiliá-lo neste momento?

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